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| O Nome D'Angieri | |||||||
| O nosso sobrenome | |||||||
| Transcrição
na íntegra das pesquisa histórico-lingüística do nome de família D'ANGIERI |
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| Suas origens históricas e lingüísticas | |||||||
| Seu Significado | |||||||
| Transformações Fonéticas | |||||||
| Conclusão | |||||||
| 01 | |||||||
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O Nome D’ANGIERI |
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Sua
origem remonta à cidade de Angers e ao Condado de Anjou, França
(Andecavis e Andecavum dos gauleses e dos romanos que
conquistaram a região em 57 a.C). Estabelecendo-se
ainda sua origem italiana na cidade de Angera. Célebres
na Idade Média os duques e condes de Anger e de Anjou que influenciaram
a política francesa por 500 anos e, como Dinastia, reinaram por mais de
200 anos na Inglaterra, em Jerusalém reconquistada e no reino de Nápoles
e Duas Sicílias. Os
D'Angieri ainda conquistaram estima, nobreza benemerência com o matrimônio
de Elsa , filha do Cavaleiro Enrico Paolo D'Angieri com Don Carlo Pilo
di Boyl, marquês de Puti Figari e Conde de Villaflor. O
sobrenome é toponímico e patronímico. Significa, portanto, oriundo de
Angers e refere-se a patriarca ou paterfamílias do séc. XII-XIII que
assim foi chamado por ser egresso dessa região francesa. Transmitiu seu
cognome a seus descendentes que o perpetuaram como nome de família: os
filhos “de Angiere”, “D’Angieri. Requerido
por Dr. Alessandro D’Angieri São Paulo, agosto de 1992.
O
sistema que identificamos um indivíduo
possui variações de um povo a outro e se modificou
nas diversas regiões através dos séculos. As
populações indo-européias se serviram, a exceção dos Latinos e dos
Osco-Úmbrios, de um único nome para designar uma pessoa. Eram nomes
"transparentes", isto é , formados
com palavras da língua falada dentro de um significado
extremamente claro: na prática eram compostos pela somatória de um único
indivíduo e , dada à riqueza de cada língua, o número de nomes era
ilimitado.Verificavam-se muitos casos de homônimos devido ao costume de
reutilizar o nome dos avôs ou um nome de particular importância, mas
esta prática era menos freqüente que na época medieval. Os
Latinos também
na antiguidade se serviam de um único nome, mas já na era
republicana os homens livres se detiveram a fórmula prenome + nome +
sobrenome : Caius + Iulius + Caesar. O
prenome era derivado do nome de batismo mas era usado somente por pessoas
íntimas e de confiança. Vinha imposto a criança aos nove dias de idade
e se tornava oficial após o uso da toga viril. Apenas 16 a 17 nomes eram
adotados no total: isto se explica porque os latinos sentiram a
necessidade de outros apelativos para distinguir o indivíduo. O
nome , segundo atributo, indicava a "gens", a origem a qual
pertenciam: "Iulius" significava que aquele que o portava era um
descendente da família Giulia cujo patriarca mítico foi Iulo, filho de
Enea. O
sobrenome foi o mais tardiamente adotado
e o que mais demorou a ter seu uso consolidado: fixou-se somente na
era de Silla, e por muito tempo permaneceu privilégio das famílias mais
senhoris, ou seja das mais importantes. Era considerado um supranome,
atribuído a uma única pessoa , ou ainda para chamar a atenção a uma
característica ou ainda defeito que depois
se tornasse hereditário com o nome
e assim designando a "gens" ou origem. Cicerone, por exemplo, deve o nome com que se tornou conhecido na história a uma verruga que um de seus avôs portava sobre o nariz; verruga que os Romanos chamavam em tom de brincadeira , de "cícero", isto é , "grão de bico". Durante
a idade do Império,
o sistema onomástico latino veio se modificando: o prenome tende a
desaparecer, o nome perde gradativamente importância e assim se fortalece
o sobrenome. Tanto que por volta do século V um só dos apelativos era
utilizado, o sobrenome.É por esta razão que conhecemos por Cicerone
aquele que os contemporâneos chamavam de Marco Tulio e igualmente pelo
sobrenome foram documentados todos os outros grandes homens ilustres da
humanidade latina. Criaram-se
ainda com freqüência
homônimos e invenções de novos nomes derivados de substantivos,
particípios e geralmente derivados da recente cristianização
da cultura, todos na maioria perfeitamente identificáveis em sua
origem. Assim,
quando surgiram os bárbaros, que tinham conservado inalterado os sistemas
primitivos
indo-europeu, Romanos e povos germânicos foram alinhados
sobre as mesmas categorias onomásticas. A
riqueza de combinações, a variedade quase ilimitada de nomes possíveis
foi acolhida de bom grado pelos Romanos e o sistema fundado sobre um nome
único ainda sobreviveu alguns séculos. Entrou
em crise quando apesar do costume de adotarem poucos nomes : nomes
germânicos e nomes de santos foram favorecidos em razão de outros da
moda ou caráter grandiosos. Os homônimos ficaram cada vez mais freqüentes.
Os nomes passaram a cumprir mal a sua função de identificarem os
indivíduos. pronto, surge agora um sistema novo, que gradativamente veio
sendo adotado: nome + sobrenome. O
apelativo ligado a o nome começa a ser passado de pai para filho. Este
fenômeno, se iniciou por volta do século IX, e chega ao seu uso
definitivo no século XVI: nesta época, em toda a Europa, este apelativo,
que surgiu para distinguir apenas o indivíduo, surge agora como nome de
família. O
sobrenome conquista importância cada vez maior. Uma contribuição
definitiva
foi a instituição dos registros civis ou anagráficos do Concílio
de Trento; e depois da Revolução Francesa, ao final do Estado, o
sobrenome
sobrepõe-se ao nome. Todos
estes atributos que se solidificaram deram origem aos sobrenomes , foram
muito diversificados. Muitas vezes se trata de um segundo nome unido ao
primeiro:Domenico Pantaleo. Numerosos são os sobrenomes patronímicos,
nascidos da tradição muito comum ainda nos dias de hoje de usar o nome
do pai ou de um indivíduo importante da família para distinguir
filhos
e parentes : Giovanni di Pietro. Outro
tipo é aquele que distingue a região de origem ou a nação de origem (Petrus
Catalanus; Petrus de Alvernia), a cidade ou vilarejo (Georgius de
Bonomia;Marcus de Tradate); o ou ainda uma particularidade geográfica (Mattheus
de Rivo). Juntamos
ainda a estes , a categoria de sobrenomes que indicavam a profissão ou ofício
(Simon Caligarius, isto
è Calligari que significa "sapateiro"). Enfim,
infinitas origens
serviram de fontes aos sobrenomes, são os supranomes, cuja
criatividade e fantasias populares não cessaram
de produzir, colocando em evidência qualidades, defeitos, físicos
ou morais; cor dos cabelos (rufus, Russo,Rossi), modo de andar (Zoppi,
Cianchettini), um instrumento (Trombetta, Trombetti), uma frase característica
ou outras notas típicas e sugestivas. Conforme
se multiplicavam o número e a variedade dos sobrenomes, surgiram os
sufixos diminutivos, aumentativos e ainda pejorativos. Aqui,
começamos a primeira parte de nosso trabalho, com o intuito de ilustrar o
significado de nosso sobrenome que distingue nossa Linhagem, nossa Estirpe
e como se dividiram em quatro categorias nas quais praticamente podemos
classificar todos os sobrenomes existentes e assim o faremos com o nosso
sobrenome. Para tanto efetuamos um estudo científico preciso, conduzido
segundo os critérios da onomástica inclusos entre as ciências
verdadeiras e pertinentes. Tal
estudo não nos permite somente colocar nosso sobrenome em uma das quatro
categorias nominativas mas sim ainda de
evidenciar indicações topográficas uma vez que as mesmas nos
revelam uma clara
e certa origem dos vocábulos e dialetos utilizados na composição
dos sobrenomes. Observamos
ainda nos sobrenomes os traços de evolução de uma língua no curso dos
séculos.Sabemos que a formação do idioma italiano foi longa e
trabalhosa; e os primeiros documentos importantes datam do século XIII e
encontramos ainda anteriormente paridades utilizadas
no que se dizia "idioma popular" e que posteriormente
serviu de base à nova literatura e assim definir o meio de expressão de
todo um povo, a sua língua. Devemos
admitir que é muito difícil em saber , se não impossível, quando nossa
língua mãe, o latim, deixou de ser usado comumente pelo povo, dando
lugar aos dialetos
mais vulgares, ou seja a nova língua. Certamente uma língua se
modifica continuamente com o uso e que estas modificações ocorreram de
maneiras deferentes conforme a região e época envolvidas. As
línguas latinas ou neolatinas variaram intensamente, não só de nação
para nação, mas de região para região dentro de uma única nação, até
a dar vida àqueles dialetos mais conhecidos. Nos
últimos séculos da Idade Medieval as diferenças entre os inúmeros
dialetos italianos já se notavam e solidificavam a ponto de chegar aos
dias de hoje nos vários dialetos observados: temos o exemplo de Toscana,
onde a diferença entre a língua popular e o latim era mínima, já nas
províncias setentrionais eram enormes. Surgiram
com o passar do tempo as integrações e o comércio entre as regiões, e
assim a necessidade de uma língua única e universal, a qual , na Itália
se mostrou essencialmente Toscana, ainda florentina , enriquecida e mesmo
tornando-se mais complexa com as adições
de vocábulos dos demais idiomas regionais. Não
devemos esquecer que outra grande contribuição veio do grego, outra
grande língua clássica que contribuiu seja através do latim ou ainda
diretamente nesta fase de enriquecimento final da língua italiana. Podemos
ainda, entre tantas fases de formação da língua , encontrar traços
destas fases em nosso sobrenome, assim um nome pode aparecer na história
com várias formas e dicções variando sua evolução juntamente com a língua. Importante
frisarmos que nenhuma destas variações
nominais de evolução da língua distinga uma Estirpe diferente,
mas sim diferenças estas apenas formais da língua como tivemos o prazer
de mencionar em nosso estudo de evolução lingüística . Tais diferenças
jamais prejudicam a origem das várias linhagens de uma única estirpe. Assim
podemos ainda indicar uma lacuna no tempo durante o período de formação
do sobrenome e da família a qual representa enriquecendo assim sua história
em muito, pois como dissemos , muito não era escrito ou constava dos
documentos nesta fase de formação da língua. Assim
podemos extrair
diversas informações úteis , como nos dá a região em que foi
formado e conseqüentemente donde teve origem a sua linhagem e sobrenome. Concluímos
assim, que , uma simples "palavra" utilizada como símbolo de
uma linhagem inteira , nos dá as mais diversas e precisas informações
da história da família através dos séculos. O
desejo de
conhecermos uma exata definição de nosso nome ou sobrenome aqui se torna
legítimo e expresso neste estudo aprofundado . Primeiramente
devemos tornar claro que a evolução da língua no tempo , devido a suas
características fonéticas e dialetais nossa família foi conhecida
também como D'Angeri ou Angeri. Veremos ainda que na
França encontramos testemunho da família, lá
denominada
Angier. Esta
referência a França não é casual pois nosso nome de família tem sua
origem também
na cidade de Angers, capital da província de Anjou - cujo nome foi
italianizado para Angiò.
Angers é hoje a principal cidade do departamento de Maine, no Vale do
Loire ao norte da França. Na verdade é uma cidade situada sobre o vale
do rio Maine e cortada ao meio por este, poucos quilômetros de sua confluência
com o Rio Loire. À
direita do Maine encontramos sua parte Medieval, dominada pela fortaleza e
pela catedral circundadas de ruelas que seguem a antiga muralha, mais à
direita destes se erguem a parte nova com os novos quarteirões. Angers,
uma cidade gallo-romana foi conhecida como Iuliomagus e foi centro político
dos Andecavi e na metade do século IV torna-se sede do bispado. Torna-se aí, sucessivamente propriedade dos Francos, dos normandos
e finalmente aos condes de Anjou. Foi sede em 872 dos chefes Hastings, sob
a dinastia dos Plantagenetas se torna segunda capital do reino da
Inglaterra e já em 1214 foi adjudicada à coroa francesa e doada por
Luiz IX ao irmão Carlo. Finamente em 1480 foi incorporada ao reino
da França. Muitos
tesouros de arte se encontram preservados em Angers: a igreja de San
Martino é um destes exemplos mais antigos. Encontramos ainda restos da
abadia de Le Ronceray do fim do século XI e da Igreja de San Albano com
uma torre de 1130 e uma guarita do século XII. Observamos
ainda a catedral dedicada a São Maurício construída entre os séculos
XII e XII possui uma única abóbada ou nave central coberta de arcos ogivais, com uma fachada sóbria com um portal
repleto de esculturas além de suas três torres. Merece
ainda destaque a igreja da Trindade do século XII, o Hospital de San
Giovanni fundado por Enrique II da Inglaterra; temos o coro de São Sérgio,
o palácio episcopal, a fortaleza , um castelo de planta pentagonal com 17
torres unida por uma imensa muralha. Diversas
casas antigas, a dos Adam do século XV, dos Banault de 1487, dos Poisson
de 1582 e dos Espine de 1523.
A academia de Equitação de Lantivy entre outras obras importantes
se destaca juntamente com os museus da cidade. Assim
nosso nome de família deve ser considerado antes de tudo um topônimo, ou
seja que tem uma origem topográfica ou geográfica neste caso, e através
dos anos, ou séculos, se tornou
um sobrenome.Assim como já podem concluir, Angers deve ser
considerado como forte possibilidade de ter originado
nossa família. Assim devemos sempre considerar
quando estamos diante de um topônimo ou ainda etnicamente ligados
a um determinado topônimo que o lugar de origem relacionada tenha na
verdade sido
onde surgiu a família, principalmente se não se encontra historicamente
outras explicações. Felizmente
nosso nome de família encontrar se fundamentado
e bem. Somo topônimos de nossa região de origem e fomos assim
designados quando na Itália nos tornamos conhecidos pelo nosso nome de
origem. Assim
nossos antepassados foram denominados como "aqueles de Angers" e
italianizados rapidamente para Angeri ou Angieri e consolidando-se em
D'Angeri ou D'Angieri transformados então em nome de família ou
sobrenome através do tempo e muito rapidamente. A
partícula "d'" significa posse
ou ainda a paternidade neste caso específico ou seja do feudo ao
qual pertencem os títulos de nobreza de uma família, por exemplo: o célebre
estadista Camillo Cavour se chamava na verdade Camillo Benso, Conde de
Cavour e o nome completo de Massimo d'Azeglio, onde foram claramente
reclamados os feudos que pertenciam à família dos dois
personagens citados. Assim a partícula "d'" indica claramente a origem a exemplo de "di Napoli", di "Bari",etc. Nos
parece claro agora que nosso nome de família é na verdade um topônimo ,
podendo ainda fazer referência há uma pequena cidade italiana denominada
Angera de cujo nome substituímos a desinência "a" pela vogal
final "i" em concordância
típica dos nomes italianos. Ambas
as hipóteses são válidas , ou seja, nossos antepassados vieram ou de
Anger , ou de Angera, mesmo as duas podem ser verdadeiras embora não
tenhamos
elementos históricos suficientes para escolher apenas uma das hipóteses
citadas. Angera
é um centro agrícola na província de Varese, que surge na parte
oriental do Lago Maggiore, em uma área de cultivo de amoras
, indústria têxtil, cavernas de mármore e magnetita. Angera foi
centro de importância
na era dos romanos, foi destruída no século V pelos Godos de
Ataulfo e depois reconstruída pelos Longobardos. Recebeu
também o nome de Stationa na Idade Média e somente em 1139 aparece a
denominação Ancleria que deu origem ao nome atual. Aos
idos de 1030 era conhecida como capital dos condados , cuja fama , apoiada
em sua origem troiana de acordo com os historiadores que dizem -na ter
sido fundada por Anglo, neto de Enea, a fez um feudo de suma importância. Já
em 1350, todo condado de Angera passou a Caterina di Bernabò Visconti, e
a Viscondado foi enfeudada. Depois promovida nos idos de 1397 pelo
então Imperador Venceslao com a ordem de Ducado e finalmente em
1449 a
marquesado por
Borromeo. Mais
uma vez nos vem diante de uma origem Lombarda e outra Francesa
para os D'Angieri e mesmo temos que as primeiras anotações históricas
de nossa família vIeram propriamente da Lombardia como veremos mais
adiante nesta reconstrução histórica. Temos aqui nosso nome de família dissecado e explicado em suas origens e classificado exatamente em seu vocábulo, seja D'Angeri ou D'Angieri como um nome único, distinto de uma estirpe ilustre e generosa e cujos representantes tiveram o mérito de torná-la célebre e honrada no curso dos séculos como poderemos constar na continuidade da descrição de nossa pesquisa histórica.
Nome de
família específico do sul da Itália, embora possa fazer-se presente
também no centro-norte onde sua origem remonta a província de Toscana,
cidade de Firenze bem documentada no Código Aráldico Fiorentino.
Estende-se ainda a Roma, Abruzzo e ocorre mormente nas Regiões da Campânia,
Calábria, Pulhas e Basilicata. Uma
Segunda hipótese busca a origem do nome no termo latino angularis.
Baseia-se no fato de existirem várias localidades italianas cujo o nome
deriva desse termo, como Anghiari (Província de Lucca), Anghiari
(Província de Arezzo), Angiari (Legnago, Província de Verona), Angera
(Província de Varese). Todos essses topônimos se originam de (terra)
angularis, ou seja, surgiram numa língua de terra, num terreno
angulado à beira de lagos e rios. Angieri, neste caso,
significaria habitante ou egresso de alguma dessas localidades. Muito
embora hoje se domine os habitantes dessas localidades de forma diversa (anghiarese,
angerese), não há documentação medieval que comprove a proveniência.
É uma suposição válida, mas sem provas documentais. A
terceira hipótese tenta explicar a origem do nome partindo do latim verum
(ferro, espeto, arpão) que passou para o italiano ghiera e alighiero.
Espécie de arpão, munido de ponta e dois ganchos em sentido contrário ,
serve para aproximar e afastar pequenos barcos ou para puxar e empurrar
objetos. O nome Angieri proveria das formas dialetais de denominação
desse objeto, especialmente dos dialetos do norte, anghier, langhier,
anger, andier. Angieri seria o fabricante ou
comerciante desse objeto. Foneticamente, esta hipótese seria aceitável.
Torna-se difícil, porém, explicar como formas dialetais do norte teriam
dado origem a nome que se realiza prevalentemente no sul da Itália. Outros
lingüistas sustentam uma quarta hipótese. O nome teria origem no vocábulo
grego ángelos que significa mensageiro, legado, embaixador. Foi
adaptado no latim cristão como angelus e, na língua italiana,
evoluiu para àngelo e àngiolo. Da Segunda forma italiana
surgiu o sobrenome Angiolieri, significando mensageiros, legados
como os anjos. Existiu um famosos Cecco Angiolieri (1260-1313),
autor de um Canzoniere di 150 Sonnetti, natural de Siena, poeta
medieval. A
passagem de Angiolieri para Angieri seria facilmente
explicada, sob o ponto de vista lingüístico, através de uma síncope do
primeiro ditongo juntamente com a consoante líquida lateral. Outros lingüistas,
porém, contrapõem que não passa de suposição essa origem. Angiolieri
poderia provir diretamente de Angio, forma italiana de Anjou,
caracterizando portanto a origem francesa do nome. A
última hipótese, comumente aceita hoje, sustenta a origem do nome Angieri
do nome da cidade de Angers, capital do condado de Anjou, França.
Atualmente corresponde ao departamento do Maine-et-Loire, situado no
noroeste da França e a sudoeste de Paris. Um
pouco de história: Os Francos se estabeleceram na fronteira norte do Império
Romano em 240. No ano 258 irromperam no território do Império, ocupando
parte da Gália. Expandiram-se paulatinamente até o advento do rei Clóvis
(481-511) que subjugou os Alamanos em 496, os Burgúndios em 499 e os
Visigodos em 507 e se apoderou de quase toda a Gália transalpina. Carlos
Magno subiu ao trono em 768, unificou toda França, conquistou a Gália
Cisalpina (norte da Itália) e fundou, no ano de 800, o Sacro Império
Romano Germânico. Com Carlos Magno a França tornou-se protetora de toda
a Itália e isso perdurou durante 700 anos. Nesse longo período,
interferiu em todas as questões, atritos e conflitos internos da península
. Abandonou-a definitivamente em 1559 com o Tratado de Cateau-Cambrésis,
em favor do rei da Espanha, Carlos V. Um
pouco mais de história: Anjou, capital Angers, corresponde
a região ocupada pelos gauleses andecavos, na época da conquista romana.
Durante a Idade Média, foi governada por condes chamados Plantagenetas,
foi reunida à coroa em 1205 por Felipe Augusto, erigida em ducado por Luís
I em 1360 e novamente unida à coroa em 1481 por Luís XI. Foram famosas
as casas reais: a primeira , surgida com os condes de Angers no século X e que reinou em Jerusalém e na Inglaterra; a
Segunda que surgiu com Carlos I , rei da Sicília, irmão de Luís IX
(1246); a terceira com Carlos de Valois, irmão de Felipe IV o Belo, e que reinou na Espanha, nas Duas Sicílias ( Reino de Nápoles)
e Parma. O surgimento das casas de Anjou ocorreu no ano 870 com o Visconde
de Angers e passaram a reinar sobre Nápoles e as duas Sicílias (todo o
sul da Itália) a partir do ano 1266 e se perpetuaram no poder por mais de
duzentos anos (até 1481). O
início da história. Os romanos conquistaram a Gália no I século antes
de Cristo, obra de Júlio César. O povo que habitava a região de Anjou
era chamado pelos romanos de andecavi ou andegavi: Caius
Plinius Secundus ou Plínio o Velho (23-79 d.C) em Naturalis
Historia 4,107;Caius Cornelius Tacitus (55-120 d.C.) na obra
Annales ab Excessu Divi Augusti 3,41. Marcus Valerius
Martialis (I séc. d.c) prefere chama-los de andecavenses ou andegavenses,
ou também de andecavinus, andegavinus. Júlio César que
procedeu à conquista da Gália, chama-os de Andes ou Andium
no seu livro De Bello Gallico 2,35,3. Romanizados
e cristianizados, os andecavos governaram seu próprio destino após a
queda do Império Romano em 476. Como
se pode constatar pelo quanto dito acima, dominaram parcelas importantes
da política européia medieval. Estruturam-se também religiosa e
socialmente, como feudo autônomo, erigido em condado nos séculos
posteriores. São desse período as famosas Formulae Andecavenses,
exemplo de organização jurídica e social do feudo por volta do século
VII. A título de exemplo, um excerto do início de uma fórmula de doação
ou cessão: “Hio
est iesta. Annum
quarto regnum domni nostri Childeberto reges, quond fecit minsus ille dies
tantus, eum iuxta consuetudinem Andicavis civetate curia puplica reseders
in fero, ibiquae vir magnificus illi prosecutor dixit: “Rogo te, vir
Iaudabilia illi defensor, illi curator, illi magister militum, vel
reliquem curia puplica, utique coticis puplici patere iobeatis, Qua hebeo,
quid apud acta proseuere debiam”... Iuratum mendatum Andecavis civetate,
curia puplica.” O
processo evolutivo que esse nome passou para chegar à forma atual,
partindo de Andecavum ou Andecavis, será objeto de análise no
item que trata das transformações fonéticas. Outro
elemento de composição do nome, o sufixo – iere, - ieri,
se origina do sufixo francês – er, ier que, por sua vez,
provém do sufixo latino – arius. Na época da sociedade feudal,
esse sufixo era indicativo de profissão , estado, proveniência. O
nome da família D’Angieri é, portanto, composto de três
elementos lingüísticos: a preposição latina de origem e proveniência,
de ; o vocábulo principal oriundo da denominação da região e
cidade da França, Andecavis = Angers, Anjou; o
sufixo medieval francês italianizado, típico da sociedade cavaleiresca,
- iere, - ieri. O sobrenome, concluindo, formou-se na Idade Média, entre os séculos XII e XIII, conseqüência da dominação francesa na Itália.
No que concerne à descrição do significado deste nome de família, cumpre notar que foram apresentadas cinco hipóteses de prováveis e plausíveis origens no item acima sobre aspectos históricos que fundamentam este trabalho. Cumpre
observar que as quatro primeira hipóteses foram apresentadas e
descartadas em favor da última que é a mais consistente e mais a
comumente aceita hoje. Recordando
as suposições abandonadas, D’Angieri poderia significar: 1.
– Construtor de barragens, obras de elevação de terrenos e de
proteção contra as águas (da raiz latina agger, arger ou aggerare). 2.
Habitante de Angera, Angiari, Anghiari,
localidades que derivam seu nome da raiz latina (terra) angularis,
com o significado de língua de terra, terreno angulado. 3.
Fabricante ou comerciante de ghiera, anghier, anger,
utensílio próprio para aproximar e afastar pequenos barcos, puxar e
empurrar objetos de variados tipos (da raiz latina verum = ferro,
arpão). 4.
Mensageiro, legado, embaixador, segundo a raiz grega angelos,
latim angelus. Tomando
como ponto de partida, porém, a história italiana medieval, o
significado mais conveniente de D’Angieri está intimamente
ligado com as influências da política e da cultura francesas na península
itálica. Com
efeito, há dois fatos históricos de suma importância a serem levados em
consideração. O primeiro destaca a presença da França na Itália como
força protetora, desde a ascensão ao trono de Carlos Magno no ano 800 até
o Tratado de Cateau-Cambrésis em 1559. A presença da França na Itália
se materializa através de forças militares, intervenções político-administrativa,
ocupação de postos no gerenciamento econômico e financeiro em amplos
setores da sociedade feudal da Idade Média. O
segundo fato intensifica a presença da França no centro-sul da Itália
através do domínio político-administrativo total. Do ano 1000 até
1481, o Reino de Nápoles e Duas Sicílias é governado por soberanos
franceses das Dinastias de Angers ou de Anjou. A política,
a cultura e a força econômica francesas dominam o cenário da sociedade
do sul da Itália. As influências sobre o sistema lingüístico foram
amplas e indeléveis. Exatamente nesse período surge o nome da família D’Angieri. Não é difícil imaginar a influência das cortes de Angers na vida social do sul da Itália, no último período da Idade Média. Tudo fazia referência aos governantes provindos de Angers.
Quase todas as palavras de um idioma sofrem, através dos séculos, alterações na pronúncia e na escrita. Essas modificações são chamadas de transformações fonéticas. São mais acentuadas na passagem de uma língua para outra e, neste caso, do latim para o francês e posteriormente para o italiano. O
nome da família D’Angieri é composto por três elementos lingüísticos.
Serão analisados separadamente e em conjunto. Usa-se o signo linguístico
“>” que significa “da origem a” ou “evolui para”. O
primeiro elemento da composição do nome é a preposição latina de,
indicativa de origem. No italiano arcaico conserva-se na forma latina,
evoluindo posteriormente para di ( fechamento vocálico ou passagem
de vogal mais aberta para mais fechada ). Não há como determinar qual
das duas formas está anteposta ao nome, embora isso não traga diferença
alguma. A
preposição anteposta ao nome que inicia por vogal sofre a elisão da
vogal própria, prevalecendo a vogal inicial do vocábulo principal: De
ou Di + Angieri > D’Angieri. O
segundo elemento componente do nome tem origem no termo latino Andecavis
(atual cidade de Angers), Andecavum (condado de Anjou)
ou Andes , Andium (angevino, andecavense = habitante de Angers
e de Anjou). Na
passagem do latim para o francês, Andecavis segue esses passos
evolutivos: -
abrandamento
ou abertura vocálica da última vogal átona: Andecavis > Andecaves; -
queda da consoante fricativa sonora: Andecaves> Andecaes; -
queda
da consoante gutural surda: Andecaes > Andeaes; -
substituição
da linguo-dental sonora pela chiante sonora comforte palatalização : Andeaes
> Angeaes -
queda da vogal dissímile por eliminição do grupo vocálico múltiplo:
Angeaes > Angees; -
crase
ou eliminação de vogal dupla idêntica: Angees > Anges; -
acréscimo da vibrante após a vogal tônica para a conservação
da tonicidade na última sílaba, seguindo os padrões ortográficos e fonéticos
da língua francesa: Anges > Angers. -Na
língua italiana o nome da cidade fica imutável, Angers, ou se
confunde com o nome do condado, Angiò. O
nome latino Andecavum se transforma no nome francês Anjou,
passando por essas evoluções fonéticas: -
apócope ou queda da consoante nasal final: Andecavum >
Andecavu; -
queda
da consoante fricativa sonora: Andecavu > Andecau; -
queda
da consoante gutural surda: Andecau > Andeau; -
ensurdecimento vocálico ou passagem do ditongo tônico – au para
o ditongo – ou: Andeau > Andeou; -
substituição
da línguo-dental sonora pela chiante sonora com forte palatalização: Andeou
> Angeou -
eliminação
do tríptico vocálico com a conseqüente queda da primeira vogal não
pronunciada e adaptação gráfica para conservar o som da chiante sonora:
Angeou > Anjou. O
substantivo latino Andium também evolui para o francês Anjou,
seguindo esse passos: -
apócope ou queda da consoante nasal final: Andium > Andiu; -
substituição da línguo-dental sonora pela chiante sonora com
forte palatalização: Andiu > Anjiu; -
adaptação
aos parâmetros da língua francesa, verificando-se a ditongação da
vogal tônica final e conseqüente eliminação da vogal pré-tônica não
pronunciada: Anjiu > Anjou O
nome Anjou foi introduzido na língua italiana sofrendo adaptações
na pronúncia e na grafia, enquadrando-se nos parâmetros da língua padrão
(a chiante sonora inexistente no italiano foi substituída pelo som
palatal sonoro mais próximo): Anjou > Angiò. O
terceiro elemento que concorre na composição do nome é o sufixo –iere,
na forma plural – ieri. Origina-se do sufixo latino – arius,
sofrendo essas alterações fonéticas: -
apócope ou queda da consoante final: -arius > -ariu; -
abertura ou abrandamento da vogal átona final: -ariu > -ario; -
novo abrandamento da vogal átona final: -ario > -arie; -
metátese
ou deslocamento da vogal –i-: -arie > -aire; -
oclusão
ou fechamento do ditongo: - aire > eire; -
nova metátese ou deslocamento da vogal – i -: eire > iere; -
apócope ou queda da vogal final no francês: - iere > ier. O
sufixo francês –ier é muito usado, especialmente na caracterização
de profissões e na indicação de proveniência , origem. Na época da
civilização cortesã, entre os séculos IX e XIV, é introduzido na Itália
como empréstimo. Assume a forma lingüística italiana com acréscimo de
som vocálico final: -ier > iere. Há
dois caminhos a seguir para a junção dos três elementos componentes
deste nome de família. O resultado é idêntico. O
primeiro reporta-se o nome-base Angers,
cidade. Na junção do primeiro e segundo elementos, verifica-se a elisão
ou queda da vogal da preposição, prevalecendo a vogal inicial do vocábulo
principal: DE ou DI + Angers > D’Angers. Na
junção dos dois primeiros elmentos aglutinados com o terceiro, o sufixo,
verifica-se a substituição da terminação –ere do vocábulo
(permanecendo somente o radical) e acréscimo do sufixo: D’Angers
> D’Ang + Iere > D’Angiere O
segundo caminho relaciona-se com o nome-base Anjou, região da França
denominada em italiano Angiò. Na
junção dos dois primeiros elementos, observa-se a elisão da vogal da
preposição, prevalecendo a vogal inicial do segundo elemento: DE ou
DI + Angio > D’Angio. Na
junção dos dois primeiros elementos aglutinados com o sufixo, observa-se
os seguintes passos evolutivos: -
apócope ou queda da vogal tônica final: D’Angio > D’Angi; -
acréscimo
do sufixo com crase ou eliminação da vogal dupla resultante do encontro
dos dois elementos justapostos: -
D’Angi
+ Iere > D’Angiiere > D’Angiere. Note-se
que o nome de família apresenta a terminação específica do plural
italiano. Neste caso não se trata de evolução fonética, mas simples
troca de morfema de singular – e pelo morfema de plural – i: D’Angiere
(sing.) > D’Angieri (plural). Um
quadro esquemático de todas as transformações fonéticas ocorridas
poderia ser apresentado da seguinte maneira: DE
(latim) > DE, DI. ANDECAVIS
(latim) > ANDECAVES > ANDECAES > ANDEAES > ANGEAES > ANGEES
> ANGES > ANGERS. ANDECAVUM
(latim) > ANDECAVU > ANDECAU > ANDEAU > ANDEOU > ANGEOU
> ANJOU. ANDIUM
(latim) > ANDIU > ANJIU > ANJOU. ARIUS
> ARIU > ARIO > ARIE > AIRE > EIRE > IERE > IER (francês)
> IERE (italiano). DE,DI
+ ANGERS + IERE > D’ANGIERE. DE,DI
+ ANGIO + IERE > D’ANGIIERE > D’ANGIERE. D’ANGIERE (singular) > D’ANGIERI (plural).
O
sobrenome D’Angieri, portanto, significa oriundo de Angers
ou do Condado de Anjou. A preposição indica de per si origem, proveniência. D’Angieri
é, pois, um toponímico, ou seja, nome de família derivado de nome, de
lugar. Expressa em última análise, um cognome atribuído a um patriarca
originário de Angers e que fixou residência no sul da Itália,
seja o serviço da corte, seja como imigrante atraído à Itália em função
da presença de reis franceses no trono de Nápoles. D’Angieri
pode ser também um patronímico, ou seja, indica filiação através da
preposição DE. Significaria, transparentemente, filho de Angieri,
um paterfamílias originário de Angers. Se
o nome D’Angieri é de origem nobre ou não, seria necessário
consultar e pesquisar os arquivos históricos e genealógicos do Reino de
Nápoles, o que não é objetivo primeiro deste trabalho. De
qualquer forma, sabe-se que o nome de família surgiu dos séculos XII –
XIII, época em que as Dinastias de Angers se estabeleceram no sul da Itália.
Sabe-se que é um toponímico e um patrominímico, originando-se de
cognome de um patriarca ou paterfamílias chamado Angiere ou D’Angiere
por ser oriundo de Angers ou Anjou. Seus filhos receberam o
epíteto de D’Angiere retransmitiram-no a seus muitos
descendentes na forma plural D’Angieri como nome de família,
perpetuando o cognome do “capostipite” D’Angiere. Requerido
por Dr. Alessandro D’Angieri Ciro
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