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O Nome D'Angieri
  
O nosso sobrenome
    
Transcrição na íntegra das pesquisa histórico-lingüística
do nome de família D'ANGIERI
  
Suas origens históricas e lingüísticas
 
Seu Significado
 
Transformações Fonéticas
 
Conclusão
 
 
     
     
   01 

O Nome D’ANGIERI


Nome de família específico do sul da Itália, ocorrendo mormente na sua origem mais remota a província de Toscana, constante do código araldico Fiorentino , espalhando-se daí as regiões mais ao sul da Itália com ramos em Roma, Abruzzo , Campânia, Pulhas, Sicília, Calábria e Basilicata.

Sua origem remonta à cidade de Angers e ao Condado de Anjou, França  (Andecavis e Andecavum dos gauleses e dos romanos que conquistaram a região em 57 a.C). Estabelecendo-se ainda sua origem italiana na cidade de Angera.

Célebres na Idade Média os duques e condes de Anger e de Anjou que influenciaram a política francesa por 500 anos e, como Dinastia, reinaram por mais de 200 anos na Inglaterra, em Jerusalém reconquistada e no reino de Nápoles e Duas Sicílias.

Os D'Angieri ainda conquistaram estima, nobreza benemerência com o matrimônio de Elsa , filha do Cavaleiro Enrico Paolo D'Angieri com Don Carlo Pilo di Boyl, marquês de Puti Figari e Conde de Villaflor.

O sobrenome é toponímico e patronímico. Significa, portanto, oriundo de Angers e refere-se a patriarca ou paterfamílias do séc. XII-XIII que assim foi chamado por ser egresso dessa região francesa. Transmitiu seu cognome a seus descendentes que o perpetuaram como nome de família: os filhos “de Angiere”, “D’Angieri.

Requerido por Dr. Alessandro D’Angieri

                                                 São Paulo, agosto de 1992.

06

O nosso sobrenome.

O sistema que identificamos um indivíduo  possui variações de um povo a outro e se modificou  nas diversas regiões através dos séculos.

As populações indo-européias se serviram, a exceção dos Latinos e dos Osco-Úmbrios, de um único nome para designar uma pessoa. Eram nomes "transparentes", isto é , formados  com palavras da língua falada dentro de um significado extremamente claro: na prática eram compostos pela somatória de um único indivíduo e , dada à riqueza de cada língua, o número de nomes era ilimitado.Verificavam-se muitos casos de homônimos devido ao costume de reutilizar o nome dos avôs ou um nome de particular importância, mas esta prática era menos freqüente que na época medieval.

Os Latinos também  na antiguidade se serviam de um único nome, mas já na era republicana os homens livres se detiveram a fórmula prenome + nome + sobrenome : Caius + Iulius + Caesar.

O prenome era derivado do nome de batismo mas era usado somente por pessoas íntimas e de confiança. Vinha imposto a criança aos nove dias de idade e se tornava oficial após o uso da toga viril. Apenas 16 a 17 nomes eram adotados no total: isto se explica porque os latinos sentiram a necessidade de outros apelativos para distinguir o indivíduo.

O nome , segundo atributo, indicava a "gens", a origem a qual pertenciam: "Iulius" significava que aquele que o portava era um descendente da família Giulia cujo patriarca mítico foi Iulo, filho de Enea.

O sobrenome foi o mais tardiamente adotado  e o que mais demorou a ter seu uso consolidado: fixou-se somente na era de Silla, e por muito tempo permaneceu privilégio das famílias mais senhoris, ou seja das mais importantes. Era considerado um supranome, atribuído a uma única pessoa , ou ainda para chamar a atenção a uma característica ou ainda defeito que depois  se tornasse hereditário com o nome  e assim designando a "gens" ou origem.

Cicerone, por exemplo, deve o nome com que se tornou conhecido na história a uma verruga que um de seus avôs portava sobre o nariz; verruga que os Romanos chamavam em tom de brincadeira , de "cícero", isto é , "grão de bico".

Durante a idade do Império,   o sistema onomástico latino veio se modificando: o prenome tende a desaparecer, o nome perde gradativamente importância e assim se fortalece o sobrenome. Tanto que por volta do século V um só dos apelativos era utilizado, o sobrenome.É por esta razão que conhecemos por Cicerone aquele que os contemporâneos chamavam de Marco Tulio e igualmente pelo sobrenome foram documentados todos os outros grandes homens ilustres da humanidade latina.

Criaram-se ainda com freqüência   homônimos e invenções de novos nomes derivados de substantivos, particípios e geralmente derivados da recente cristianização  da cultura, todos na maioria perfeitamente identificáveis em sua origem.

Assim, quando surgiram os bárbaros, que tinham conservado inalterado os sistemas primitivos  indo-europeu, Romanos e povos germânicos foram alinhados  sobre as mesmas categorias onomásticas.

A riqueza de combinações, a variedade quase ilimitada de nomes possíveis foi acolhida de bom grado pelos Romanos e o sistema fundado sobre um nome único ainda sobreviveu alguns séculos.

Entrou  em crise quando apesar do costume de adotarem poucos nomes : nomes germânicos e nomes de santos foram favorecidos em razão de outros da moda ou caráter grandiosos. Os homônimos ficaram cada vez mais freqüentes.  Os nomes passaram a cumprir mal a sua função de identificarem os indivíduos. pronto, surge agora um sistema novo, que gradativamente veio sendo adotado: nome + sobrenome.

O apelativo ligado a o nome começa a ser passado de pai para filho. Este fenômeno, se iniciou por volta do século IX, e chega ao seu uso definitivo no século XVI: nesta época, em toda a Europa, este apelativo, que surgiu para distinguir apenas o indivíduo, surge agora como nome de família.

O sobrenome conquista importância cada vez maior. Uma contribuição definitiva  foi a instituição dos registros civis ou anagráficos do Concílio de Trento; e depois da Revolução Francesa, ao final do Estado, o sobrenome  sobrepõe-se ao nome.

Todos estes atributos que se solidificaram deram origem aos sobrenomes , foram muito diversificados. Muitas vezes se trata de um segundo nome unido ao primeiro:Domenico Pantaleo. Numerosos são os sobrenomes patronímicos, nascidos da tradição muito comum ainda nos dias de hoje de usar o nome do pai ou de um indivíduo importante da família para distinguir  filhos  e parentes : Giovanni di Pietro.

Outro tipo é aquele que distingue a região de origem ou a nação de origem (Petrus Catalanus; Petrus de Alvernia), a cidade ou vilarejo (Georgius de Bonomia;Marcus de Tradate); o ou ainda uma particularidade geográfica (Mattheus de Rivo).

Juntamos ainda a estes , a categoria de sobrenomes que indicavam a profissão ou ofício (Simon Caligarius, isto  è Calligari que significa "sapateiro").

Enfim, infinitas origens  serviram de fontes aos sobrenomes, são os supranomes, cuja criatividade e fantasias populares não cessaram  de produzir, colocando em evidência qualidades, defeitos, físicos ou morais; cor dos cabelos (rufus, Russo,Rossi), modo de andar (Zoppi, Cianchettini), um instrumento (Trombetta, Trombetti), uma frase característica ou outras notas típicas e sugestivas.

Conforme se multiplicavam o número e a variedade dos sobrenomes, surgiram os sufixos diminutivos, aumentativos e ainda pejorativos.

Aqui, começamos a primeira parte de nosso trabalho, com o intuito de ilustrar o significado de nosso sobrenome que distingue nossa Linhagem, nossa Estirpe e como se dividiram em quatro categorias nas quais praticamente podemos classificar todos os sobrenomes existentes e assim o faremos com o nosso sobrenome. Para tanto efetuamos um estudo científico preciso, conduzido segundo os critérios da onomástica inclusos entre as ciências verdadeiras e pertinentes.

Tal estudo não nos permite somente colocar nosso sobrenome em uma das quatro categorias nominativas mas sim ainda de  evidenciar indicações topográficas uma vez que as mesmas nos revelam uma clara  e certa origem dos vocábulos e dialetos utilizados na composição dos sobrenomes.

Observamos ainda nos sobrenomes os traços de evolução de uma língua no curso dos séculos.Sabemos que a formação do idioma italiano foi longa e trabalhosa; e os primeiros documentos importantes datam do século XIII e encontramos ainda anteriormente paridades utilizadas  no que se dizia "idioma popular" e que posteriormente serviu de base à nova literatura e assim definir o meio de expressão de todo um povo, a sua língua.

Devemos admitir que é muito difícil em saber , se não impossível, quando nossa língua mãe, o latim, deixou de ser usado comumente pelo povo, dando lugar aos dialetos  mais vulgares, ou seja a nova língua. Certamente uma língua se modifica continuamente com o uso e que estas modificações ocorreram de maneiras deferentes conforme a região e época envolvidas.

As línguas latinas ou neolatinas variaram intensamente, não só de nação para nação, mas de região para região dentro de uma única nação, até a dar vida àqueles dialetos mais conhecidos.

Nos últimos séculos da Idade Medieval as diferenças entre os inúmeros dialetos italianos já se notavam e solidificavam a ponto de chegar aos dias de hoje nos vários dialetos observados: temos o exemplo de Toscana, onde a diferença entre a língua popular e o latim era mínima, já nas províncias setentrionais eram enormes.

Surgiram com o passar do tempo as integrações e o comércio entre as regiões, e assim a necessidade de uma língua única e universal, a qual , na Itália se mostrou essencialmente Toscana, ainda florentina , enriquecida e mesmo  tornando-se mais complexa com as adições  de vocábulos dos demais idiomas regionais.

Não devemos esquecer que outra grande contribuição veio do grego, outra grande língua clássica que contribuiu seja através do latim ou ainda diretamente nesta fase de enriquecimento final da língua italiana.

Podemos ainda, entre tantas fases de formação da língua , encontrar traços destas fases em nosso sobrenome, assim um nome pode aparecer na história com várias formas e dicções variando sua evolução juntamente com a língua.

Importante frisarmos que nenhuma destas variações  nominais de evolução da língua distinga uma Estirpe diferente, mas sim diferenças estas apenas formais da língua como tivemos o prazer de mencionar em nosso estudo de evolução lingüística . Tais diferenças jamais prejudicam a origem das várias linhagens de uma única estirpe.

Assim podemos ainda indicar uma lacuna no tempo durante o período de formação do sobrenome e da família a qual representa enriquecendo assim sua história em muito, pois como dissemos , muito não era escrito ou constava dos documentos nesta fase de formação da língua.

Assim podemos extrair  diversas informações úteis , como nos dá a região em que foi formado e conseqüentemente donde teve origem a sua linhagem e sobrenome.

Concluímos assim, que , uma simples "palavra" utilizada como símbolo de uma linhagem inteira , nos dá as mais diversas e precisas informações da história da família através dos séculos.

O desejo  de conhecermos uma exata definição de nosso nome ou sobrenome aqui se torna legítimo e expresso neste estudo aprofundado .

Primeiramente devemos tornar claro que a evolução da língua no tempo , devido a suas características fonéticas e dialetais nossa família foi conhecida  também como D'Angeri ou Angeri. Veremos ainda que na França encontramos testemunho da família, lá  denominada  Angier.

Esta referência a França não é casual pois nosso nome de família tem sua origem também  na cidade de Angers, capital da província de Anjou - cujo nome foi italianizado para  Angiò. Angers é hoje a principal cidade do departamento de Maine, no Vale do Loire ao norte da França. Na verdade é uma cidade situada sobre o vale do rio Maine e cortada ao meio por este, poucos quilômetros de sua confluência com o Rio Loire.

À direita do Maine encontramos sua parte Medieval, dominada pela fortaleza e pela catedral circundadas de ruelas que seguem a antiga muralha, mais à direita destes se erguem a parte nova com os novos quarteirões.

Angers, uma cidade gallo-romana foi conhecida como Iuliomagus e foi centro político dos Andecavi e na metade do século IV torna-se sede do bispado. Torna-se aí, sucessivamente propriedade dos Francos, dos normandos e finalmente aos condes de Anjou. Foi sede em 872 dos chefes Hastings, sob a dinastia dos Plantagenetas se torna segunda capital do reino da Inglaterra e já em 1214 foi adjudicada à coroa francesa e doada por  Luiz IX ao irmão Carlo. Finamente em 1480 foi incorporada ao reino da França.

Muitos tesouros de arte se encontram preservados em Angers: a igreja de San Martino é um destes exemplos mais antigos. Encontramos ainda restos da abadia de Le Ronceray do fim do século XI e da Igreja de San Albano com uma torre de 1130 e uma guarita do século XII.

Observamos ainda a catedral dedicada a São Maurício construída entre os séculos XII e XII possui uma única abóbada ou nave central coberta de arcos ogivais, com uma fachada sóbria com um portal repleto de esculturas além de suas três torres.

Merece ainda destaque a igreja da Trindade do século XII, o Hospital de San Giovanni fundado por Enrique II da Inglaterra; temos o coro de São Sérgio, o palácio episcopal, a fortaleza , um castelo de planta pentagonal com 17 torres unida por uma imensa muralha.

Diversas casas antigas, a dos Adam do século XV, dos Banault de 1487, dos Poisson de 1582 e dos Espine de 1523.  A academia de Equitação de Lantivy entre outras obras importantes se destaca juntamente com os museus da cidade.

Assim nosso nome de família deve ser considerado antes de tudo um topônimo, ou seja que tem uma origem topográfica ou geográfica neste caso, e através dos anos, ou séculos, se tornou  um sobrenome.Assim como já podem concluir, Angers deve ser considerado como forte possibilidade de ter originado  nossa família. Assim devemos sempre considerar  quando estamos diante de um topônimo ou ainda etnicamente ligados a um determinado topônimo que o lugar de origem relacionada tenha na verdade  sido onde surgiu a família, principalmente se não se encontra historicamente outras explicações.

Felizmente nosso nome de família encontrar se fundamentado  e bem. Somo topônimos de nossa região de origem e fomos assim designados quando na Itália nos tornamos conhecidos pelo nosso nome de origem.

Assim nossos antepassados foram denominados como "aqueles de Angers" e italianizados rapidamente para Angeri ou Angieri e consolidando-se em D'Angeri ou D'Angieri transformados então em nome de família ou sobrenome através do tempo e muito rapidamente.

A partícula "d'" significa posse  ou ainda a paternidade neste caso específico ou seja do feudo ao qual pertencem os títulos de nobreza de uma família, por exemplo: o célebre estadista Camillo Cavour se chamava na verdade Camillo Benso, Conde de Cavour e o nome completo de Massimo d'Azeglio, onde foram claramente  reclamados os feudos que pertenciam à família dos dois personagens citados.

Assim a partícula "d'" indica claramente a origem a exemplo de "di Napoli", di "Bari",etc.

Nos parece claro agora que nosso nome de família é na verdade um topônimo , podendo ainda fazer referência há uma pequena cidade italiana denominada Angera de cujo nome substituímos a desinência "a" pela vogal final "i" em concordância  típica dos nomes italianos.

Ambas as hipóteses são válidas , ou seja, nossos antepassados vieram ou de Anger , ou de Angera, mesmo as duas podem ser verdadeiras embora não tenhamos  elementos históricos suficientes para escolher apenas uma das hipóteses citadas.

Angera é um centro agrícola na província de Varese, que surge na parte oriental do Lago Maggiore, em uma área de cultivo de amoras , indústria têxtil, cavernas de mármore e magnetita. Angera foi centro de importância  na era dos romanos, foi destruída no século V pelos Godos de Ataulfo e depois reconstruída pelos Longobardos.

Recebeu também o nome de Stationa na Idade Média e somente em 1139 aparece a denominação Ancleria que deu origem ao nome atual.

Aos idos de 1030 era conhecida como capital dos condados , cuja fama , apoiada em sua origem troiana de acordo com os historiadores que dizem -na ter sido fundada por Anglo, neto de Enea, a fez um feudo de suma importância.

Já em 1350, todo condado de Angera passou a Caterina di Bernabò Visconti, e a Viscondado foi enfeudada. Depois promovida nos idos de 1397 pelo  então Imperador Venceslao com a ordem de Ducado e finalmente em 1449  a marquesado por  Borromeo.

Mais uma vez nos vem diante de uma origem Lombarda e outra Francesa  para os D'Angieri e mesmo temos que as primeiras anotações históricas de nossa família vIeram propriamente da Lombardia como veremos mais adiante nesta reconstrução histórica.

Temos aqui nosso nome de família  dissecado e explicado  em suas origens e classificado exatamente em seu vocábulo, seja D'Angeri ou D'Angieri como um nome único, distinto  de uma estirpe ilustre e generosa e cujos representantes  tiveram o mérito de torná-la célebre e honrada no curso dos séculos como poderemos constar na continuidade da descrição de nossa pesquisa histórica.

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Transcrição na íntegra das pesquisa histórico-lingüística
do nome de família
D’ANGIERI

     

Suas origens históricas e lingüísticas:

Nome de família específico do sul da Itália, embora possa fazer-se presente também no centro-norte onde sua origem remonta a província de Toscana,  cidade de Firenze bem documentada no Código Aráldico Fiorentino. Estende-se ainda a Roma, Abruzzo e ocorre mormente nas Regiões da Campânia, Calábria, Pulhas e Basilicata.
É um patronímico que se origina de um topônimo francês, a cidade de Angers, capital do condado de Anjou, embora alguns lingüistas tenham buscado outras possíveis origens, diretamente na língua latina.
O sobrenome é composto por três elementos lingüísticos distintos: a preposição di ou de, indicando procedência ou filiação; o radical Ang(er); o sufixo italianizado – ieri, proveniente do francês – er ou – ier.
Antes de historiar o surgimento deste sobrenome seguindo-lhe os passos desde sua origem francesa, convém mencionar suas outras prováveis origens levantadas por diversos lingüistas e que não deixam de ser plausíveis, muito embora estejam hoje relegadas a segundo plano.
Há quem defenda a hipótese de uma origem latina a partir do vocábulo agger ou arger, amontoado ou acúmulo de material, entulho. Os romanos usavam o termo para indicar todo o material, utilizado em obras de saneamento, de elevação de baixios, de construção de obras de contenção de águas, acessos para pontes, enfim obras de elevação, terraplenagem.
A bem da verdade, existe na língua italiana o termo argine e o verbo arginare, proveniente do citado vocábulo latino, com o significado de executar terraplenagens e especialmente de construir diques e obras de contenção das margens dos rios. Argiere seria o executor dessas obras. O problema, no entanto, subsiste na passagem do termo argiere para angiere, ou seja, o passo fonético de transformação de um fonema vibrante (-r-) para um fonema nasal (-n-); esta possível passagem fonética não encontra similar na língua italiana.
A hipótese ficou desacreditada, pois deveria basear-se num raríssimo e excepcional fenômeno fonético para poder subsistir. Um documento do ano 947 diz: : "Terra aratoria ubi dicitur Arzele sive Argeles”. O termo está presente, é o que dá origem ao vocábulo italiano atual, mas a vibrante – r – persiste.

Uma Segunda hipótese busca a origem do nome no termo latino angularis. Baseia-se no fato de existirem várias localidades italianas cujo o nome deriva desse termo, como Anghiari (Província de Lucca), Anghiari (Província de Arezzo), Angiari (Legnago, Província de Verona), Angera (Província de Varese). Todos essses topônimos se originam de (terra) angularis, ou seja, surgiram numa língua de terra, num terreno angulado à beira de lagos e rios. Angieri, neste caso, significaria habitante ou egresso de alguma dessas localidades. Muito embora hoje se domine os habitantes dessas localidades de forma diversa (anghiarese, angerese), não há documentação medieval que comprove a proveniência. É uma suposição válida, mas sem provas documentais.

A terceira hipótese tenta explicar a origem do nome partindo do latim verum (ferro, espeto, arpão) que passou para o italiano ghiera e alighiero. Espécie de arpão, munido de ponta e dois ganchos em sentido contrário , serve para aproximar e afastar pequenos barcos ou para puxar e empurrar objetos. O nome Angieri proveria das formas dialetais de denominação desse objeto, especialmente dos dialetos do norte, anghier, langhier, anger, andier. Angieri seria o fabricante ou comerciante desse objeto. Foneticamente, esta hipótese seria aceitável. Torna-se difícil, porém, explicar como formas dialetais do norte teriam dado origem a nome que se realiza prevalentemente no sul da Itália.

Outros lingüistas sustentam uma quarta hipótese. O nome teria origem no vocábulo grego ángelos que significa mensageiro, legado, embaixador. Foi adaptado no latim cristão como angelus e, na língua italiana, evoluiu para àngelo e àngiolo. Da Segunda forma italiana surgiu o sobrenome Angiolieri, significando mensageiros, legados como os anjos. Existiu um famosos Cecco Angiolieri (1260-1313), autor de um Canzoniere di 150 Sonnetti, natural de Siena, poeta medieval.

A passagem de Angiolieri para Angieri seria facilmente explicada, sob o ponto de vista lingüístico, através de uma síncope do primeiro ditongo juntamente com a consoante líquida lateral. Outros lingüistas, porém, contrapõem que não passa de suposição essa origem. Angiolieri poderia provir diretamente de Angio, forma italiana de Anjou, caracterizando portanto a origem francesa do nome.

A última hipótese, comumente aceita hoje, sustenta a origem do nome Angieri do nome da cidade de Angers, capital do condado de Anjou, França. Atualmente corresponde ao departamento do Maine-et-Loire, situado no noroeste da França e a sudoeste de Paris.

Um pouco de história: Os Francos se estabeleceram na fronteira norte do Império Romano em 240. No ano 258 irromperam no território do Império, ocupando parte da Gália. Expandiram-se paulatinamente até o advento do rei Clóvis (481-511) que subjugou os Alamanos em 496, os Burgúndios em 499 e os Visigodos em 507 e se apoderou de quase toda a Gália transalpina. Carlos Magno subiu ao trono em 768, unificou toda França, conquistou a Gália Cisalpina (norte da Itália) e fundou, no ano de 800, o Sacro Império Romano Germânico. Com Carlos Magno a França tornou-se protetora de toda a Itália e isso perdurou durante 700 anos. Nesse longo período, interferiu em todas as questões, atritos e conflitos internos da península . Abandonou-a definitivamente em 1559 com o Tratado de Cateau-Cambrésis, em favor do rei da Espanha, Carlos V.

Um pouco mais de história: Anjou, capital Angers, corresponde a região ocupada pelos gauleses andecavos, na época da conquista romana. Durante a Idade Média, foi governada por condes chamados Plantagenetas, foi reunida à coroa em 1205 por Felipe Augusto, erigida em ducado por Luís I em 1360 e novamente unida à coroa em 1481 por Luís XI. Foram famosas as casas reais: a primeira , surgida com os condes de Angers  no século X e que reinou em Jerusalém e na Inglaterra; a Segunda que surgiu com Carlos I , rei da Sicília, irmão de Luís IX (1246); a terceira com Carlos de Valois, irmão de Felipe IV o Belo,  e que reinou na Espanha, nas Duas Sicílias ( Reino de Nápoles) e Parma. O surgimento das casas de Anjou ocorreu no ano 870 com o Visconde de Angers e passaram a reinar sobre Nápoles e as duas Sicílias (todo o sul da Itália) a partir do ano 1266 e se perpetuaram no poder por mais de duzentos anos (até 1481).

O início da história. Os romanos conquistaram a Gália no I século antes de Cristo, obra de Júlio César. O povo que habitava a região de Anjou era chamado pelos romanos de andecavi ou andegavi: Caius Plinius Secundus ou Plínio o Velho (23-79 d.C) em Naturalis Historia 4,107;Caius Cornelius Tacitus (55-120 d.C.) na obra  Annales ab Excessu Divi Augusti 3,41. Marcus Valerius Martialis (I séc. d.c) prefere chama-los de andecavenses ou andegavenses, ou também de andecavinus, andegavinus. Júlio César que procedeu à conquista da Gália, chama-os de Andes ou Andium no seu livro De Bello Gallico 2,35,3.

Romanizados e cristianizados, os andecavos governaram seu próprio destino após a queda do Império Romano em 476. 

Como se pode constatar pelo quanto dito acima, dominaram parcelas importantes da política européia medieval. Estruturam-se também religiosa e socialmente, como feudo autônomo, erigido em condado nos séculos posteriores. São desse período as famosas Formulae Andecavenses, exemplo de organização jurídica e social do feudo por volta do século VII. A título de exemplo, um excerto do início de uma fórmula de doação ou cessão:

“Hio est iesta. Annum quarto regnum domni nostri Childeberto reges, quond fecit minsus ille dies tantus, eum iuxta consuetudinem Andicavis civetate curia puplica reseders in fero, ibiquae vir magnificus illi prosecutor dixit: “Rogo te, vir Iaudabilia illi defensor, illi curator, illi magister militum, vel reliquem curia puplica, utique coticis puplici patere iobeatis, Qua hebeo, quid apud acta proseuere debiam”... Iuratum mendatum Andecavis civetate, curia puplica.”

  Esse traços episódicos da história da França servem para demonstrar as profundas ligações seladas, através dos séculos, com a Itália. Como decorrência , pode-se imaginar as influências que esse povo exerceu em todas as áreas dentro da península itálica. Não foram maiores porque  já se constituíam num povo cristianizado e latinizado, portanto, já de posse das componentes culturais da tradição latina. Sob o ponto de vista lingüístico, deixaram marcas na toponomástica e no léxico em geral. Do ponto de vista social, influíram nos usos e costumes e legaram muito de seus nomes aos italianos. Um desses nomes é, certamente, D’Angieri.  

O processo evolutivo que esse nome passou para chegar à forma atual, partindo de Andecavum ou Andecavis, será objeto de análise no item que trata das transformações fonéticas.

Outro elemento de composição do nome, o sufixo – iere, - ieri, se origina do sufixo francês – er, ier que, por sua vez, provém do sufixo latino – arius. Na época da sociedade feudal, esse sufixo era indicativo de profissão , estado, proveniência.

O nome da família D’Angieri é, portanto, composto de três elementos lingüísticos: a preposição latina de origem e proveniência, de ; o vocábulo principal oriundo da denominação da região e cidade da França, Andecavis = Angers, Anjou; o sufixo medieval francês italianizado, típico da sociedade cavaleiresca, - iere, - ieri.

O sobrenome, concluindo, formou-se na Idade Média, entre os séculos XII e XIII, conseqüência da dominação francesa na Itália.

03

Seu Significado

No que concerne à descrição do significado deste nome de família, cumpre notar que foram apresentadas cinco hipóteses de prováveis e plausíveis origens no item acima sobre aspectos históricos que fundamentam este trabalho.

Cumpre observar que as quatro primeira hipóteses foram apresentadas e descartadas em favor da última que é a mais consistente e mais a comumente aceita hoje.

Recordando as suposições abandonadas, D’Angieri poderia significar:

1.     – Construtor de barragens, obras de elevação de terrenos e de proteção contra as águas (da raiz latina agger, arger ou aggerare).

2.     Habitante de Angera, Angiari, Anghiari, localidades que derivam seu nome da raiz latina (terra) angularis, com o significado de língua de terra, terreno angulado.

3.     Fabricante ou comerciante de ghiera, anghier, anger, utensílio próprio para aproximar e afastar pequenos barcos, puxar e empurrar objetos de variados tipos (da raiz latina verum = ferro, arpão).

4.     Mensageiro, legado, embaixador, segundo a raiz grega angelos, latim angelus.

Tomando como ponto de partida, porém, a história italiana medieval, o significado mais conveniente de D’Angieri está intimamente ligado com as influências da política e da cultura francesas na península itálica.

Com efeito, há dois fatos históricos de suma importância a serem levados em consideração. O primeiro destaca a presença da França na Itália como força protetora, desde a ascensão ao trono de Carlos Magno no ano 800 até o Tratado de Cateau-Cambrésis em 1559. A presença da França na Itália se materializa através de forças militares, intervenções político-administrativa, ocupação de postos no gerenciamento econômico e financeiro em amplos setores da sociedade feudal da Idade Média.

O segundo fato intensifica a presença da França no centro-sul da Itália através do domínio político-administrativo total. Do ano 1000 até 1481, o Reino de Nápoles e Duas Sicílias é governado por soberanos franceses das Dinastias de Angers ou de Anjou. A política, a cultura e a força econômica francesas dominam o cenário da sociedade do sul da Itália. As influências sobre o sistema lingüístico foram amplas e indeléveis.

Exatamente nesse período surge o nome da família D’Angieri. Não é difícil imaginar a influência das cortes de Angers na vida social do sul da Itália, no último período da Idade Média. Tudo fazia referência aos governantes provindos de Angers.

04

Transformações Fonéticas

Quase todas as palavras de um idioma sofrem, através dos séculos, alterações na pronúncia e na escrita. Essas modificações são chamadas de transformações fonéticas. São mais acentuadas na passagem de uma língua para outra e, neste caso, do latim para o francês e posteriormente para o italiano.

O nome da família D’Angieri é composto por três elementos lingüísticos. Serão analisados separadamente e em conjunto. Usa-se o signo linguístico “>” que significa “da origem a” ou “evolui para”.

O primeiro elemento da composição do nome é a preposição latina de, indicativa de origem. No italiano arcaico conserva-se na forma latina, evoluindo posteriormente para di ( fechamento vocálico ou passagem de vogal mais aberta para mais fechada ). Não há como determinar qual das duas formas está anteposta ao nome, embora isso não traga diferença alguma.

A preposição anteposta ao nome que inicia por vogal sofre a elisão da vogal própria, prevalecendo a vogal inicial do vocábulo principal:

De ou Di + Angieri > D’Angieri.

O segundo elemento componente do nome tem origem no termo latino Andecavis (atual cidade de Angers), Andecavum (condado de Anjou) ou Andes , Andium (angevino, andecavense = habitante de Angers e de Anjou).

Na passagem do latim para o francês, Andecavis segue esses passos evolutivos:

-         abrandamento ou abertura vocálica da última vogal átona: Andecavis > Andecaves;

-         queda da consoante fricativa sonora: Andecaves> Andecaes;

-         queda da consoante gutural surda: Andecaes > Andeaes;

-         substituição da linguo-dental sonora pela chiante sonora comforte palatalização : Andeaes > Angeaes

-         queda da vogal dissímile por eliminição do grupo vocálico múltiplo: Angeaes > Angees;

-         crase ou eliminação de vogal dupla idêntica: Angees > Anges;

-         acréscimo da vibrante após a vogal tônica para a conservação da tonicidade na última sílaba, seguindo os padrões ortográficos e fonéticos da língua francesa: Anges > Angers.

-Na língua italiana o nome da cidade fica imutável, Angers, ou se confunde com o nome do condado, Angiò.

O nome latino Andecavum se transforma no nome francês Anjou, passando por essas evoluções fonéticas:

-         apócope ou queda da consoante nasal final: Andecavum > Andecavu;

-         queda da consoante fricativa sonora: Andecavu > Andecau;

-         queda da consoante gutural surda: Andecau > Andeau;

-         ensurdecimento vocálico ou passagem do ditongo tônico – au para o ditongo – ou: Andeau > Andeou;

-         substituição da línguo-dental sonora pela chiante sonora com forte palatalização: Andeou > Angeou

-         eliminação do tríptico vocálico com a conseqüente queda da primeira vogal não pronunciada e adaptação gráfica para conservar o som da chiante sonora: Angeou > Anjou.

O substantivo latino Andium também evolui para o francês Anjou, seguindo esse passos:

-         apócope ou queda da consoante nasal final: Andium > Andiu;

-         substituição da línguo-dental sonora pela chiante sonora com forte palatalização: Andiu > Anjiu;

-         adaptação aos parâmetros da língua francesa, verificando-se a ditongação da vogal tônica final e conseqüente eliminação da vogal pré-tônica não pronunciada: Anjiu > Anjou

O nome Anjou foi introduzido na língua italiana sofrendo adaptações na pronúncia e na grafia, enquadrando-se nos parâmetros da língua padrão (a chiante sonora inexistente no italiano foi substituída pelo som palatal sonoro mais próximo): Anjou > Angiò.

O terceiro elemento que concorre na composição do nome é o sufixo –iere, na forma plural – ieri. Origina-se do sufixo latino – arius, sofrendo essas alterações fonéticas:

-         apócope ou queda da consoante final: -arius > -ariu;

-         abertura ou abrandamento da vogal átona final: -ariu > -ario;

-         novo abrandamento da vogal átona final: -ario > -arie;

-         metátese ou deslocamento da vogal –i-: -arie > -aire;

-         oclusão ou fechamento do ditongo: - aire > eire;

-         nova metátese ou deslocamento da vogal – i -: eire > iere;

-         apócope ou queda da vogal final no francês: - iere > ier.

O sufixo francês –ier é muito usado, especialmente na caracterização de profissões e na indicação de proveniência , origem. Na época da civilização cortesã, entre os séculos IX e XIV, é introduzido na Itália como empréstimo. Assume a forma lingüística italiana com acréscimo de som vocálico final: -ier > iere.

Há dois caminhos a seguir para a junção dos três elementos componentes deste nome de família. O resultado é idêntico.

O primeiro reporta-se o nome-base  Angers, cidade. Na junção do primeiro e segundo elementos, verifica-se a elisão ou queda da vogal da preposição, prevalecendo a vogal inicial do vocábulo principal: DE ou DI + Angers > D’Angers.

Na junção dos dois primeiros elmentos aglutinados com o terceiro, o sufixo, verifica-se a substituição da terminação –ere do vocábulo (permanecendo somente o radical) e acréscimo do sufixo:

D’Angers > D’Ang + Iere > D’Angiere

O segundo caminho relaciona-se com o nome-base Anjou, região da França denominada em italiano Angiò.

Na junção dos dois primeiros elementos, observa-se a elisão da vogal da preposição, prevalecendo a vogal inicial do segundo elemento: DE ou DI + Angio > D’Angio.

Na junção dos dois primeiros elementos aglutinados com o sufixo, observa-se os seguintes passos evolutivos:

-         apócope ou queda da vogal tônica final: D’Angio > D’Angi;

-         acréscimo do sufixo com crase ou eliminação da vogal dupla resultante do encontro dos dois elementos justapostos:

-         D’Angi + Iere > D’Angiiere > D’Angiere.

Note-se que o nome de família apresenta a terminação específica do plural italiano. Neste caso não se trata de evolução fonética, mas simples troca de morfema de singular – e pelo morfema de plural – i:

D’Angiere (sing.) > D’Angieri (plural).

Um quadro esquemático de todas as transformações fonéticas ocorridas poderia ser apresentado da seguinte maneira:

DE (latim) > DE, DI.

ANDECAVIS (latim) > ANDECAVES > ANDECAES > ANDEAES > ANGEAES > ANGEES > ANGES > ANGERS.

ANDECAVUM (latim) > ANDECAVU > ANDECAU > ANDEAU > ANDEOU > ANGEOU > ANJOU.

ANDIUM (latim) > ANDIU > ANJIU > ANJOU.

ARIUS > ARIU > ARIO > ARIE > AIRE > EIRE > IERE > IER

(francês) > IERE (italiano).

DE,DI + ANGERS + IERE > D’ANGIERE.

DE,DI + ANGIO + IERE > D’ANGIIERE > D’ANGIERE.

D’ANGIERE (singular) > D’ANGIERI (plural).

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Conclusão

O sobrenome D’Angieri, portanto, significa oriundo de Angers ou do Condado de Anjou. A preposição indica de per si origem, proveniência.

D’Angieri é, pois, um toponímico, ou seja, nome de família derivado de nome, de lugar. Expressa em última análise, um cognome atribuído a um patriarca originário de Angers e que fixou residência no sul da Itália, seja o serviço da corte, seja como imigrante atraído à Itália em função da presença de reis franceses no trono de Nápoles.

D’Angieri pode ser também um patronímico, ou seja, indica filiação através da preposição DE. Significaria, transparentemente, filho de Angieri, um paterfamílias originário de Angers.

Se o nome D’Angieri é de origem nobre ou não, seria necessário consultar e pesquisar os arquivos históricos e genealógicos do Reino de Nápoles, o que não é objetivo primeiro deste trabalho.

De qualquer forma, sabe-se que o nome de família surgiu dos séculos XII – XIII, época em que as Dinastias de Angers se estabeleceram no sul da Itália. Sabe-se que é um toponímico e um patrominímico, originando-se de cognome de um patriarca ou paterfamílias chamado Angiere ou D’Angiere por ser oriundo de Angers ou Anjou. Seus filhos receberam o epíteto de D’Angiere retransmitiram-no a seus muitos descendentes na forma plural D’Angieri como nome de família, perpetuando o cognome do “capostipite” D’Angiere.

Requerido por Dr. Alessandro D’Angieri

Ciro Mioranza
São Paulo, setembro de 1992